Cadela vira-lata ajuda menino autista a se desenvolver em SP: ‘Encontro de almas’

Mandy e Yuri brincam no quintal de casa, dormem um perto do outro, passeiam pelas ruas, vão ao mercado e até à escola. Eles se conheceram há quase cinco anos em Itanhaém, no litoral de São Paulo e, desde então, protagonizam juntos uma história de superação, desenvolvimento, proteção e felicidade.

Mandy é uma cadela vira-lata que foi adotada pela família de Yuri, um garoto de nove anos, diagnosticado com autismo aos quatro. “A chegada dela foi um divisor de águas em nossas vidas. Hoje, depois de tanto tempo, vemos como tudo mudou”, conta a mãe do menino, Denise Barros Luchetti Ferreira, de 29 anos.

O parecer clínico de Yuri ocorreu depois que uma professora alertou os pais sobre o comportamento dele, distante dos colegas e agressivo, na escola. “A gente sempre achou que tinha algo diferente, mas todos os médicos falavam que o desenvolvimento estava normal. Foi um baque grande na hora”, lembra Denise.

Após novas consultas, o menino foi finalmente diagnosticado com “autismo não especificado com transtorno de conduta”. Trata-se do tipo leve do distúrbio, que afeta diretamente o desenvolvimento do paciente e ocasiona problemas na interação social, nas habilidades, na linguagem e, também, no comportamento.

“No começo, ninguém está preparado para receber essa notícia. Aceitar é um pouco difícil, mas, aos poucos, a gente foi descobrindo e entendendo essa nova realidade. Começamos, então, a pesquisar o que poderíamos fazer para poder ajudá-lo”, conta o pai, Cassio Alexandre Barros Ferreira, de 34 anos.

Os tratamentos convencionais foram iniciados com pediatras, psiquiatras e outros especialistas. Na escola, a atenção foi redobrada com uma equipe multidisciplinar. O casal, ao vasculhar sobre o assunto, descobriu que a interação com os animais poderia ser uma alternativa, uma vez que já tinha apresentado resultados com outros pacientes.

Depois de tentar com um porquinho da Índia e dois hamsters, a família decidiu adotar um cachorro. Uma cadela de uma amiga teve filhotes e foi ali que eles encontraram a Mandy, então com seis meses. “Foi um encontro de almas aquele dia. Ela foi atrás do Yuri logo de cara. Eu vejo que eles se escolheram ali”, lembra a mãe.

“Na verdade, eu acho que foi ela quem, realmente, nos adotou”, complementa o pai. Yuri ganhava uma nova amiga, que o ajudaria a se desenvolver. A interação, no começo, foi difícil, até que os dois se adaptassem um ao outro. Mas logo o menino aprendeu com ela a ser mais carinhoso, sociável, comunicativo, responsável e feliz.

Ao falar brevemente com o G1, ele não poupou palavras para elogiar Mandy e contar o quanto os dois se divertem juntos. Entretanto, de férias na casa da tia, e como qualquer criança, Yuri queria mais era aproveitar as brincadeiras com a amiga. “Viu só? Ele é muito cativante”, interrompeu a mãe, orgulhosa.

Na rua, os pais contam que o filho faz questão de apresentar a amiga a todos que ele encontra. Às vezes, na escola, a cadela acompanha a mãe ao buscá-lo. “Ele, agora, quer falar com todo mundo. Ele começou a se aproximar das pessoas. Todos que o viram antes e hoje o encontram notam a diferença. Tudo mudou”, diz.

“Ele é muito afetivo e socializa muito bem. Ele adora participar e gosta de fazer a leitura [de textos] em voz alta. Às vezes, ainda temos alguma resistência nas atividades, mas logo é contornado”, conta a professora dele, Ana Maria Lopes da Silva, que leciona no 4º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Lions Clube.

Para a comunidade científica, essa melhora não é por acaso. Um estudo de uma universidade dos Estados Unidos estabeleceu que crianças com autismo que têm animais de estimação, principalmente cães e gatos (que tornam-se companheiros do paciente), se desenvolvem mais, quando comparadas com aquelas que não possuem.

A psiquiatra Tabita Juliana Tomelin, que acompanha Yuri há quatro anos pelo Programa Cuidar, da prefeitura, afirma que a evolução do paciente é notável. “Toda terapia que envolva afeto é sempre válida. A melhora também muito se deve à família, que é dedicada. Mas é importante lembrar que cada paciente reage de uma maneira”.

Antes, isolado e quieto, hoje, muito ativo e sociável. Devido à proximidade com os animais, ele também faz sessões de equoterapia, que envolve cavalos, em uma abordagem para estimulá-lo. “A semana dele, hoje, é mais cheia. Ele também faz balé e jiu-jítsu, por vontade própria, e Mandy o acompanha em todos os lugares”.

Nesses cinco anos de convivência, a cadela não ajudou só o pequeno Yuri. “Antes, batia a preocupação de como seria o futuro dele. A convivência era muito difícil e até ruim. Não tenho dúvidas de que a Mandy trouxe mais alegria para a gente. Mais do que isso: ela veio nos complementar como família”, finaliza o pai.

fonte: http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/cadela-vira-lata-ajuda-menino-autista-a-se-desenvolver-em-sp-encontro-de-almas.ghtml

(Foto: Maiara Leonelli/PMI)

Artigos Relacionados(as)

ENCAMINHE POR EMAIL

Todas os artigos

ENCAMINHE ESSA NOTÍCIA POR EMAIL

Formulário de Proposta

COMPARTILHE NAS REDES SOCIAIS

Facebook Twitter