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Ator com Síndrome de Down premiado em Cannes protagoniza o filme “O oitavo dia”

Pascal Duquenne e Daniel Auteil interpretam companheiros de uma jornada pessoal transformadora

24/06/2013 - NOVIDADES
Há anos, atores com síndrome de Down podem ser vistos em filmes, comerciais, novelas e peças de teatro em várias partes do mundo.
No Brasil, Luiz Felipe Badin, Paula Werneck e os protagonistas do Filme “Colegas” (Ariel Goldenberg, Breno Viola e Rita Pokk) são os atores com Down mais conhecidos do país. Nos Estados Unidos, filmes como Uma Lição de Amor, com Sean Penn, e O Apanhador de Sonhos, com Morgan Freeman, trazem atores com Down no elenco.
Mas o belga Pascal Duquenne, de 35 anos, se destaca por ter alcancado o sonho de qualquer ator: o de ter levado a Palma de Ouro de Cannes de Melhor Ator junto com o francês Daniel Auteil em 1996.
O filme O Oitavo Dia, de Jaco Van Dormael, trata da vida frustrada do executivo (Auteil), um homem cuja existência não parece despertar interesse algum. Desprezado por seus filhos, por sua ex-mulher e por seus colegas de escritório, o personagem dá uma virada a partir de um encontro inesperado com George, vivido por Duquenne.

Prêmio
George sacode o marasmo e a desesperança da vida do personagem vivido por Auteil e, assim, os dois viram companheiros de uma jornada pessoal transformadora e com efeitos diversos em cada um.
Daniel Auteil é um dos atores mais consagrados do cinema francês, com filmes como A Mulher e o Atirador de Facas e O Closet. Seu mérito em Cannes nunca foi questionado.
No caso de Duquenne, a própria imprensa internacional muitas vezes não disfarçou a surpresa de ver uma pessoa com uma condição genética ser considerada a melhor entre seus colegas de trabalho ditos “normais”. Não foram poucas as reportagens que trataram do prêmio de Cannes como um ato sentimental, de piedade.
Quem assistiu ao filme, vê um ator que dança, chora, ri, incomoda, seduz e, acima de tudo, expõe as emoções de seu personagem.


‘Descoberto’
Pascal foi “descoberto” depois que a mulher do diretor de cinema Jaco Van Dormael, foi assistir a um espetáculo do grupo de dança Creahm (Creativité Handicapés Mentaux) do qual o ator participa.
Jaco Van Dormael convidou Pascal Duquenne para participar do filme Toto Le Hero que ganhou o Camera D’or, prêmio do Festival de Cannes para o trabalho de estréia de um diretor.
A idéia do filme O Oitavo Dia já existia mas passou-se um bom tempo até que o diretor tocasse no assunto novamente como lembra a mãe de Pascal, Hughette Vandeput.
“Em 1984, os Van Dormael foram à nossa casa para pedir permissão para trabalhar com Pascal. Dissemos que sim, mas quando vimos o roteiro, ficamos com medo de que fosse meio pesado para ele, mas Pascal quis fazer o filme”, lembra Hughette Vandeput.

Improviso
Mas nem tudo correu como planejado.
Para começar, Pascal passava as noites decorando as falas de seu personagem para, não hora da filmagem, dizer o texto que ele tinha criado para George.
Isso desnorteou a equipe, principalmente o outro protagonista, Daniel Auteil, mas o diretor Jaco Van Dormael, embarcou na novidade.
A relação entre Duquenne e Auteil fluiu como a dos personagens de O Oitavo Dia. No começo, os dois atores se estranharam muito mas, depois de protagonizarem uma briga de bola de neve, fora das filmagens, os dois selaram uma forte amizade.

Moradia independente
O diretor de O Oitavo Dia, assim como o proprio Auteil, participa da comissão que organiza o projeto Les Copains du 8eme Jour (Os Amigos do Oitavo Dia), uma das conseqüências práticas do sucesso do premiado filme.
A mãe de Pascal Duquenne, Hughette Vandeput, é a administradora do projeto Les Copains du 8eme Jour, que oferece acomodações para jovens que tenham algum comprometimento mental e que querem viver separados dos pais, levando uma vida independente.
O projeto, no momento, oferece um bloco de apartamentos em Bruxelas em que os moradores dividem uma cozinha e a sala, num esquema semelhante ao de uma república de estudantes. Em apartamentos vizinhos ficam os “zeladores”, pessoas qe praticam a “solidariedade ativa”, como explica o folheto do projeto.
Pascal Duquenne mora em Bruxelas mas conversou com a BBC Brasil em um restaurante em Paris, onde estava para cumprir temporada de seu one-man show de dança.

BBC Brasil: Quem é Pascal Duquenne?
Pascal Duquenne: Pascal Duquenne sou eu. Faço esportes, teatro, cinema, tudo completamente por minha conta.

BBC Brasil: Você sempre quis ser ator?
PD: Nunca quis ser ator. Ator faz filme, e todo mundo vê. Eu não queria ser visto por todo mundo, mas sim queria um trabalho.

BBC Brasil: Como foi a experiência de fazer o filme O Oitavo Dia?
PD: George (nome do personagem de Duquenne no filme O Oitavo Dia) e Pascal têm o mesmo temperamento. Mas George está no filme e Pascal Duquenne é um ator do cinema belga.

BBC Brasil: Como você foi escolhido para fazer O Oitavo Dia?
PD: Não houve teste. O diretor foi na nossa casa me convidar para fazer o filme e eu aceitei…

BBC Brasil: Foi difícil fazer o filme?
PD: Um pouco difícil, muito duro, às vezes. “Corta, corta, vamos recomeçar!” (Duquenne muda a entonação da voz imitando o diretor do filme).

BBC Brasil: Sua vida mudou depois de ganhar o prêmio de Melhor Ator em Cannes?
PD: Fiz bastante dinheiro que minha mãe administra.

BBC Brasil: Você recebeu convites para participar de outros trabalhos?
PD: Sim, isso aconteceu.

BBC Brasil: Voce mora na Bélgica mas está em Paris fazendo um espetáculo de danca. Do que se trata?
PD: É um espetáculo que fiz sozinho. A coreografia é minha em cima de músicas do Queen e eu danco em frente a um espelho.

BBC Brasil: Me conte um pouco como é a sua rotina.
PD: Eu faço teatro, natação, esporte… Sou forte, tenho que fazer esportes. Na segunda-feira me exercito. Na terça, esecrevo para jornais, de manhã e à tarde, estudo percussão. Na quarta-feira, faço aula de música, dança e expressão corporal.

BBC Brasil: Você tem muitos amigos?
PD: Muitos. Na quinta-feira, até as quatro horas da tarde, ensaio num grupo de dança com meus amigos.

BBC Brasil: Quais são os seus planos para o futuro?
PD: Tenho tudo o que preciso e estou fazendo um documentário em episódios chamado Pascal Duquenne: Direito de Amar.

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